A sensação desconfortável de uma afta gigante na boca e dos lábios secos, gretados.. Estéreis, tão desprovidos do calor que caracteriza os beijos doces dos amantes.. Desculpa para multiplicar os silêncios e refugiar-me na minha concha.. Ando irremediavelmente zangada e nada parece ser capaz de me tirar deste estado de irritação! Em oscilações que de leve têm pouco.. Obrigo-me a respirar fundo perante as interrupções indesejáveis, as palavras inapropriadas e as presenças que nos momentos de fúria parecem tão insuportáveis! Não me conheço assim.. Procuro recuperar a paz de espírito que me permitia levitar ao de leve sob as coisas e evitar que me afectassem profundamente..
Subo o volume do rádio mas as vibrações parecem insuficientes para afastar para longe o mau humor, a falta de paciência, de tolerância.. Enfio-me no banho, portas fechadas ao mundo.. Só eu a recuperar o fôlego, perdida nos meus pensamentos até ficar com a pele salpicada de manchas vermelhas da água quente.. Segue-se o ritual. Procuro em mim as boas energias, procuro concentrar-me numa surpresa agradável, procuro elevar a auto-estima e miro-me no espelho.. A imagem devolvida não parece tão má assim.. Não parece tão grave o efeito de umas férias prolongadas entregue aos cozinhados da mamã.. Deixo-me ficar imersa no silêncio da minha voz, conduzida apenas pela melodia, pelo ritmo que dita o rádio.. Silêncio..*
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