São lugares ambíguos de significado.. Aeroportos, estações de comboios, de autocarros.. São lugares indefinidos que suscitam sentimentos tão diversos e tão contraditórios.. Que podem simbolizar partida ou regresso.. É isso no fundo. São ruas, são estradas, auto-estradas! O cúmulo do entre! Entre prédios, entre lares, entre vidas! Entre vilas, entre cidades, entre realidades.. Ponto intermédio, transição para um "outro" qualquer.. Todos estes lugares são sinónimo de passagem e a passagem não é um movimento simples, linear.. Não somos robots, mas humanos! As motivações influenciam as acções.. As pessoas deslocam-se e consigo o que pensam e o que sentem.. Não se desfazem do que são nem da bagagem emocional que transportam! São um todo complexo que encerra crenças e vivências, de acordo com as quais reagem.
Cruzamo-nos todos os dias com dezenas de pessoas e não paramos por um momento para olhá-las.. Passamos por elas, nem pensamos duas vezes.. Nem notamos, nem fixamos.. Tal como esses locais de passagem que não vemos.. São tudo cenários.. Cenários sofisticados que incluem figurantes! Personagens que simultaneamente são protagonistas no seu próprio mundo alheado.. Os momentos passados no intermédio vão sendo apagados.. Só conquistam lugar se por algum motivo nos marcarem.. Se encerrarem um episódio significativo para nós, se o experienciarmos verdadeiramente! Se se tornarem palco de um qualquer acontecimento.. Pois o seu valor quotidiano não tem mistério.. É apenas a sua utilização prática..

1 comentário:
O texto que mais gostei até agora. Gosto de ver.. para continuar maria Raquel :)
Enquanto lia o texto só me lembrava daqueles que fazem destes "pontos intermédios" os seus pontos de vida. Aqueles que dos pontos de passagem fazem as suas casas, nao para ir ou chegar a algum lado... aquele ponto é a sua ida e a sua chegada, a sua casa e o seu emprego.
A diferença entre o movimento dos que fazem desses sítios um ponto de passagem e aqueles que, imóveis, lá ficam, lá continuam, lá retornam infitamente. Choca. E é uma realidade que, com esta crise crescente, terá tendência para aumentar. Será que um dia a diferença entre a azáfama e a imobilidade será ténue ou se vai inverter?
O meu espírito optimista não me deixa acreditar nisso. Ainda assim é uma realidade a que dar olhos, ouvidos e coração, e fazer algo para mudar a situação.
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